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Eletrônica Hobby
 
   
 
     
 


Conselhos para quem quer se tornar um entusiasta
eletrônico, na área de áudio analógico. -
Parte 3

 
  Este texto é para as pessoas do bem, honestas. Pessoas inteligentes que jamais copiam o trabalho alheio e, de forma alguma incomodam o próximo com barulho ou qualquer outra forma de poluição. Pessoas que respeitam o meio ambiente, que gostam de música de qualidade e atividades saudáveis. Pessoas que sonham ou um dia sonharam com um mundo agradável para se viver e, no fundo do coração, ainda têm a esperança desse horizonte vir a existir.  
 


É importante ler as partes 1 e 2 para melhor compreensão deste texto.

 
     
     
 
 

Multímetro:

Este é geralmente o primeiro instrumento a ser adquirido, tendo em vista que o auxiliará no aprendizado e, estará presente em toda a sua jornada na eletrônica.

É arriscado para um iniciante adquirir multímetros usados, seja ele analógico ou digital. Pois é grande a possibilidade de receber um instrumento danificado.

Consertar um instrumento usado faz parte do hobby da eletrônica, mas para isso é preciso conhecimento e ter em mãos instrumentos em boas condições para realizar tal trabalho. Se você for iniciante, se possível, adquira um multímetro novo e deixe os usados para quando tiver mais experiência, ou compre de alguém em quem você confia.

 
     
  Não compre o mais barato.  
  Multímetros, baratos, de baixa qualidade, além de não cumprirem sua função expõe o usuário ao risco de lesões. Por estes motivos é importante evitá-los. Idealmente adquira seu multímetro de qualidade em uma loja especializada em componentes eletrônicos e instrumentação.  
 

“Sempre observe atentamente as características dos instrumentos”



Um bom multímetro é seguro, preciso e, acompanhará você por muitos anos. No entanto, o multímetro é um instrumento delicado e poderá ser danificado ou trazer riscos a você, se usado de forma errada. Tendo isso em mente, somente adquira um multímetro quando já tiver conhecimento suficiente para usá-lo de maneira correta. E, nisso um curso e leituras de livros e revistas de eletrônica serão de grande importância. Estudar é o melhor a fazer.
Conhecer o princípio de funcionamento de qualquer instrumento é meio caminho para utilizá-lo corretamente.

 
  A sequência correta do aprendizado é em primeiro a teoria e posteriormente a prática. Esta é a melhor conduta para aprender de forma produtiva, agradável e segura.  
     
  Antes de comprar:  
  Se você quiser contribuir para um mundo melhor, antes de comprar um produto será importante conhecer a reputação de quem o construiu e, se possível, de quem o está vendendo. Verifique se essa pessoa ou empresa é séria, se não causa danos a outras ou polui o meio ambiente.  
  Pense: “Se eu comprar um produto de alguém que está, por exemplo, causando poluição sonora e prejudicando outros, patrocinarei a destruição da vida dessas pessoas.”  
     
 

E se eu não puder comprar um bom multímetro?

 
 

Não desanime, continue estudando e economizando para adquiri-lo. Se ainda assim não for possível, compre um mais modesto, mas não desista da eletrônica. Apenas não compre multímetros de qualidade e segurança questionáveis.

 
 

Não sei dizer a época exata, mas ainda muito jovem e sem condições de adquirir um multímetro, meu primeiro “instrumento de medição” foi improvisado com um medidor de VU (ou de sinal de FM - não estou bem lembrado), alguns resistores, chaves e provavelmente uma bateria de 9 V. Até onde recordo era possível apenas medir tensões DC relativamente baixas e resistência. Aliás, “medir” é um pouco de exagero, pois a precisão era péssima e a sensibilidade era no mínimo inadequada. Apesar disso foi de valia. O simples fato de sozinho tê-lo elaborado e construído já foi uma realização e um importante aprendizado, para a idade. Isso, contudo, só foi possível por já ter algum conhecimento teórico sobre o assunto.
Este é apenas um relato, não o estou incentivando e nem aconselho a você improvisar um instrumento, em razão de haver riscos à sua segurança.

 
     
 

Devo comprar um multímetro analógico ou digital?

 
  “Se puder, tenha ambos”. Cada um deles tem suas vantagens e desvantagens.  
     
  Creio que você aprenderá mais começando pelo analógico, além de ser muito agradável trabalhar com este. Mas o multímetro digital é mais robusto, preciso e, será de grande utilidade na maioria dos casos. Sendo este último, a meu ver, uma opção mais segura, na impossibilidade de adquirir ambos.  
     
  Nem todos os multímetros analógicos convencionais podem medir corrente alternada de baixa intensidade - “AC μA e AC mA”. Sendo que alguns têm uma escala, tão somente, para correntes de dez ou doze amperes. E, de modo geral, suas indicações de resistências são bastante imprecisas nos extremos superiores das faixas. Por outro lado, muitos apresentam boa largura de banda em ACV – resposta de frequência em tensão alternada -, podendo medir além dos 20 kHz ou mesmo 1 MHz. Enquanto os multímetros digitais mais modestos não passam dos 400 Hz, ou 5 kHz nos de preço médio. Sendo que o limite comum para os bons exemplares de alto custo está situado entre 20 kHz e 100 kHz (1 MHz -3 dB). Os digitais portáteis raramente atingem 200 kHz de largura de banda. Sempre observe atentamente as características dos instrumentos, antes de comprá-los, pois há ótimos multímetros analógicos cuja resposta de frequência está, de forma intencional, limitada aos 400 Hz. É perfeitamente aceitável que se adquira um multímetro com largura de banda de 400 Hz, mas deve-se estar sempre atento a isso ao efetuar medições.  
     
  A inércia do ponteiro é uma característica importante,
possibilitando medições de grandezas cuja
“Conhecer o princípio de funcionamento de qualquer instrumento é meio caminho para utilizá-lo corretamente”
amplitude apresente instabilidade. Ao observar os limites da variação do ponteiro, intuitivamente o nosso cérebro calcula a média do movimento, dando-nos uma percepção aproximada da amplitude. Quando a grandeza é cíclica, como uma senoide, e está sobreposta a uma tensão DC, é possível mensurar tensões cuja variação seja bastante lenta.

Se você observar, alguns multímetros digitais têm um gráfico de barras (bar graph). Sua função é oferecer uma indicação que simule o movimento inercial do ponteiro de um multímetro analógico. Alguns desses bar graphs funcionam relativamente bem, já outros são apenas adornos.

O recurso mínimo/máximo de um multímetro digital é muito útil para medir extremos de variações e a respectiva média.
 
     
  Multímetro Analógico (VOM):  
  Deve ter sensibilidade no mínimo de 20 kΩ/V em DC para não interferir excessivamente no circuito em teste. Os multímetros convencionais podem chegar a 200 kΩ/V. Estes últimos têm resistência de entrada mais alta que um digital nas faixas de tensões maiores que 50 V. Porém mais baixa para as demais faixas. Isso considerando uma resistência de entrada de 10 MΩ para o digital. Teoricamente, quanto maior a sensibilidade melhor. Todavia, o aumento da sensibilidade pode também representar medidores (galvanômetros) mais delicados e propensos a serem danificados em caso de queda, por exemplo. Uma solução encontrada pelos fabricantes, para ambos os problemas, foi utilizar um galvanômetro de menor sensibilidade (100 µA, por exemplo) em conjunto com um circuito eletrônico transistorizado. Este arranjo é comum em multímetros analógicos de bancada, porém pouco usado em multímetros portáteis. No Brasil os modelos 105 FET da Hioki e o Engro 584 (de circuito análogo ao Hioki 3080, acrescido de alguns recursos), fabricados nos anos 80 são, provavelmente, os exemplos mais bem conhecidos. Esse tipo de multímetro é chamado de eletrônico, apesar de todos o serem. Além da alta resistência de entrada para as faixas de baixa tensão, como vantagem adicional, alguns multímetros eletrônicos podem medir mais facilmente corrente alternada de baixa intensidade, a exemplo do METRAport 3A.  
     
  Com exceção dos eletrônicos, um multímetro analógico requer baterias apenas para a medição de resistência. Isto significa que mesmo sem as baterias ele funcionará perfeitamente para medir tensões e correntes. Ademais, as pilhas e/ou baterias de um analógico também duram muitos anos, e são comumente substituídas de tempos em tempos para evitar que estas venham a vazar. A exceção é quando resistências muito baixas são medidas diariamente, o que leva a um desgaste maior da bateria de menor tensão (geralmente uma pilha de 1,5 V). Se pretender deixar um instrumento de medição ou qualquer outro que utilize baterias, guardado por muito tempo, tenha o cuidado de removê-las antes de guardá-lo.  
     
  O espelho presente no mostrador, de muitos modelos, tem a função de dirimir erros de paralaxe, aumentando a precisão da leitura.  
     
  Robustez mecânica:  
  Os atuais multímetros, de baixo custo, costumam utilizar um sistema de pivô cuja qualidade é muito inferior à daqueles construídos no passado. Sabendo disso e, por segurança, de preferência aos multímetros que utilizam o sistema ‘taut-band’, os quais são mais duráveis e precisos.  
     
  Multímetros que utilizam tensões mais altas para medir resistências, tais como baterias de 22,5 V ou 30 V podem auxiliar na detecção de fugas de corrente em capacitores e semicondutores. Nisso a maioria dos digitais falham. A desvantagem é que resistores de valor alto devem ser retirados do circuito para terem a sua resistência mensurada. Outro recurso interessante em alguns analógicos é medir tensões tão altas quanto 1200 V ou mais, sendo úteis ao trabalhar em projetos valvulares. Contudo, deve-se ter cuidado ao trabalhar com tensões de tal magnitude. É aconselhável o uso de luvas e óculos. Além de ser imprescindível que o multímetro e as pontas de prova sejam de boa qualidade, para oferecer segurança. Observe que há fabricantes que anunciam aparelhos de baixa qualidade (analógico ou digital), supostamente capazes de medir tensões de 1000 V ou mais. Mas, tais produtos representam perigo ao usuário. É aconselhável não medir tensões superiores a 250 V com esses aparelhos.  
     
  Os multímetros analógicos não emitem interferências de rádio frequência (RFI), sendo outra característica bem-vinda.  
     
  A seguir veremos alguns modelos de multímetros analógicos. Todos são apenas exemplos, não são recomendações. Alguns têm preços acessíveis, já outros podem estar fora do alcance de muitos de nós. Acredito, porém, que o conhecimento de tais auxiliará na formação de uma visão mais ampla sobre multímetros. Independente de estarem ou não disponíveis no mercado nacional. É importante notar que certos fabricantes podem ter bons multímetros analógicos em sua linha e, péssimos multímetros digitais, os quais nem mesmo são fabricados por eles. O inverso também pode ser verdadeiro. Por certo que aparelhos suspeitos não serão mencionados aqui.  
     
  Nishizawa:  
  A Nishizawa é uma empresa parceira da Hioki desde o início dos anos 1960. Dentre os modelos atualmente em linha, temos:  
 
3009
  3004: (33 kΩ/V)
Escalas de LV e LI são úteis nos testes de semicondutores.
   
  3007: (33 kΩ/V)
Escalas de LV e LI são úteis nos testes de semicondutores.
   
  3009: (50 kΩ/V)
Resposta de frequência de 100 kHz (1 MHz -3 dB) na escala de 10 V.
   
  3010: (100 kΩ/V)
É o modelo de maior sensibilidade da linha atual da Nishizawa.
   
  5220 (20 kΩ/V)
Um multímetro mais simples, em forma de kit. Seria ótimo se estivesse disponível para o mercado brasileiro. Pois, a montagem de kits auxilia muito no aprendizado.
 
  Site do fabricante  
   
  Hioki:  
  O único modelo analógico ainda fabricado, no Japão, com a marca Hioki é o 3030-10. Não é boa opção para uso em bancada, mas é interessante para quem deseja um multímetro analógico da marca. Alguns modelos descontinuados estão disponíveis com a marca Nishizawa.  
     
  Site do fabricante  
   
  Sanwa:  
  Sanwa é outra marca tradicional e respeitável. Dentre os modelos atualmente em linha, temos:  
     
 
EM7000
Eletrônico
Resposta de frequência de 40 Hz a 1 MHz, nas escalas de 3 e 12 V.
A resistência de entrada varia de 2,5 MΩ a 12 MΩ, conforme a escala.
 

EM7000
     
  CX506a (50kΩ/V)
Resposta de frequência de 40 Hz a 30 kHz, na escala de 3 V e 12 V.
 
     
  YX-361TR: (20kΩ/V)
Resposta de frequência de 40 Hz a 100 kHz, nas escalas de 2,5 V e 10 V.
 
 
 
  Site do fabricante  
     
  Tenha cuidado com falsificações e ‘trade dress’. Algumas costumam usar a mesma marca ou marcas parecidas para confundir o consumidor, tais como: Samwa, Sanwai e Sunwa. Mais detalhes no site do fabricante.  
   
  Simpson:  
  Não são propriamente instrumentos baratos ou para iniciantes, mas se tratando de multímetro analógico não há como deixar a Simpson de lado. Em companhia da HP e Tektronix, dentre outras, teve importante participação na história. Sua colaboração no projeto Apollo pode ter sido crucial para o sucesso do programa espacial norte-americano.  
 
260-6XLM
  160: (20 kΩ/V)
O mais portátil multímetro da Simpson. 20 kΩ/V e resposta de frequência de 100 kHz.
   
  260-8: (20 kΩ/V)
Um dos mais tradicionais multímetros analógicos. Fabricado desde a década de 1930. Seu desenho industrial mudou pouco desde a primeira versão. Se você quer equipar sua bancada com um multímetro clássico, o 260-8 é uma opção a ser considerada.
   
  260-6XLM: (20 kΩ/V)
Desenho industrial mais moderno e minimalista. O recurso “Low Power Resistance” evita que o próprio multímetro danifique componentes delicados.
   
  270-5: (20 kΩ/V)
É o modelo mais preciso da linha Simpson.
   
 
  Site do fabricante  
   
  Triplett:  
  Model 630: (20 kΩ/V)
Resposta de frequência de 40 kHz.
Lançado em 1949 e fabricado até os dias de hoje.
É outra opção a ser considerada por quem deseja um instrumento clássico.
 
     
  Site do fabricante  
   
  Gossen Metrawatt:  
 
METRAport 3A:
Este é um exemplo de multímetro eletrônico analógico com medição de AC mA. Seu custo, entretanto, poderá estar fora do orçamento de muitos de nós.
METRAport 3AMETRAport 3A
     
  METRAHIT 2A: (20kΩ/V)
É um exemplo de multímetro convencional com medição de AC mA. A medição de resistência está limitada a 1 Megaohm.
 
     
  Site do fabricante  
 
     
     
     
  Independente de qual instrumento você adquirir, leia atentamente o manual de instruções.  
     
  Na próxima parte veremos um pouco a respeito dos Multímetros Digitais - Parte 4  
     
   
Fábio Maurício Timi - 19876.01
 
     
 
     
     
     
 
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