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Publicado originalmente em 2013.08.01
 
Acessórios - Separando 'snake oil' dos funcionais
 
 


Escritos datados de milhares de anos já relatam quão desonestos eram muitos comerciantes. E, ao que tudo indica, o engodo existe antes mesmo de existir o comércio.
Infelizmente, por vivermos num mundo fortemente capitalista é natural que muitos comerciantes prometam que ao comprar certo produto o consumidor economizará em alguma coisa. Assim, de tempos em tempos, aparecem no mercado produtos que prometem, por vezes, o impossível, tal como: economizar combustível -ao fixar dois ímãs à mangueira de combustível-, economizar água, energia elétrica e, até economizar tempo. Pseudo-aditivos também prometem aumentar a durabilidade do motor e melhorar a autonomia.
Por certo que economizar pode ser algo muito positivo, o problema aqui são as falsas promessas, os engodos.

Talvez você esteja lembrado da antena de TV cujo fabricante afirmou usar cristais de quartzo para, segundo ele, proporcionar desempenho ótimo ao seu produto. Contudo, a tal antena além de apresentar desempenho bastante ruim, continha apenas pedras de rio. Utilizar quartzo, a propósito, não traria benefícios a essa ou qualquer outra antena.
Antena de TV, aliás, sempre foi terreno fértil para os charlatões. Quem não se lembra das falsas antenas vendidas por camelôs ou aquelas com elementos que não servem para nada? Atualmente a propaganda enganosa inclui antenas de baixa qualidade que são comercializadas como: digitais, 3D, Full HD, etc. Logo mais alguém estará oferecendo uma versão modernizada das disparatadas antenas de lâmpadas fluorescentes, mas agora específicas para "TV 3D-8k", usando lâmpadas fluorescentes compactas espirais ou circulares.

Com a popularização da informática, não apenas o hardware, mas também softwares inúteis se multiplicaram. Falsos antivírus e outras promessas vãs de proteções apenas iludem o usuário, fazendo-o pensar que está protegido.

Outra área muito visada é a da saúde, por esta ser de fundamental importância. Pulseiras, palmilhas e elixires milagrosos não são desconhecidos do consumidor.

Num certo período, até óleo, supostamente de cobra, era vendido como um remédio para muitos males. Dando, mais tarde, origem a popular expressão "óleo de cobra" (snake oil), para designar um produto enganoso.
Parece que até hoje, ninguém sabe realmente a verdadeira origem da expressão 'snake oil', mas sabe-se que muitos produtos eram comercializados com esse apelo.

Há anos, adesivos com supostos "hologramas quânticos" vêm sendo comercializados com a promessa de curar doenças e resolver uma série de problemas, muitos até inexistentes. Dentre suas promessas está a de eliminar a radiação emitida por monitores de vídeo e computadores. Segundo o fabricante, basta colocar um desses adesivos sob o aparelho para estar seguro.
Uma clara propaganda enganosa que manipula termos científicos para tentar obter alguma credibilidade. Aliás, se isso funcionasse, por que os fabricantes dos melhores monitores de vídeo continuaram usando tubos especiais, blindagens metálicas e sensores de Raios X?
Não seria muito mais econômico usarem um desses adesivos em seus aparelhos e assim aumentarem sua margem de lucro?
Há também outro produto chinês, igualmente enganoso, comercializado com o nome de "escudo quântico". O qual, apesar do nome sugestivo, não passa de mais uma armadilha que tenta confundir o consumidor, fazendo-o acreditar tratar-se de um produto de alta tecnologia, quando nem mesmo funciona.

Possivelmente o leitor deva estar lembrando-se de muitos outros exemplos de produtos totalmente não funcionais, frivolidades e, aldrabices que preencheriam páginas e páginas de textos. Mas, aqui vamos apenas listar alguns produtos sem utilidade voltados para a área de áudio, pois esta, assim como as demais, não escapou dos comerciantes desonestos.
Algo interessante nesses produtos é que seus fabricantes geralmente tentam adquirir alguma credibilidade ao citarem tecnologias muito avançadas ou áreas da ciência não muito populares. Citar agências de grande conceito, como a NASA, tornou-se tão trivial que fabricantes sérios, que realmente utilizam os mesmos componentes que a NASA, pensam duas vezes antes de citá-la, com medo de serem confundidos com os enganadores. Diante disso é importante ficar alerta, pois alguns componentes utilizados num satélite, por exemplo, podem verdadeiramente ser aproveitados num projeto residencial, mas poucos o fazem em razão do alto custo e dificuldade de aquisição. Nenhum produto falso ou barato utiliza os mesmos componentes que a NASA.

Esta longa introdução foi feita para esclarecer que os charlatões estão em todas as áreas, talvez sem exceções. Até naquelas relacionadas à saúde, como medicamentos e alimentação.

Por serem geralmente pessoas mais bem instruídas, audiófilos não são alvos tão fáceis quanto alguns imaginam. Diante disso este artigo seria dispensável se, não fossem as falsas análises e opiniões publicadas em sites de credibilidade questionável.
É curioso encontrar comentários afirmando que determinado pseudo-acessório funciona. E, a mesma pessoa desqualificar produtos honestos.
Apesar de muitas coisas serem claramente uma farsa, algumas podem confundir qualquer pessoa que não seja um profissional da área.

Nesta página comentarei somente a respeito dos "acessórios", ficando as fraudes com equipamentos eletrônicos reservadas a outro texto.
Também serão citados produtos que realmente funcionam ou são úteis de alguma forma, mas que podem parecer estranhos para o audiófilo. Ainda assim é importante ficar alerta ao fato dos fabricantes poderem superestimar seus produtos, fazendo promessas fantasiosas para iludir o consumidor.

Por ser a área de eletrônica mais difícil para os charlatões agirem, eles algumas vezes apelam para produtos que vão além do ridículo. Sendo fáceis de identificar.

     
  Adesivos Quânticos  
  Pequenos adesivos que prometem melhorar a qualidade de áudio e vídeo ao serem colados num cabo ou aparelho.
Os charlatões que já agem em muitas áreas, voltaram sua atenção também para o mercado de áudio e vídeo. Esses adesivos não trazem qualquer benefício, sendo um engodo.
 
     
  Bloqueador de telefone celular  
  Seu funcionamento se baseia na geração de um forte sinal de radiofrequência (RF) cujo objetivo é interferir na recepção e transmissão do telefone. Dificultando ou mesmo impossibilitando a comunicação entre este e a estação rádio base.
Tais aparelhos não são destinados ao mercado de áudio, mas já ouvi pessoas considerando seu uso em salas de audição.
Isso não trará qualquer benefício para o sistema de áudio, muito pelo contrário, pois o sinal de RF irá provavelmente interferir, mais que o telefone, no funcionamento do sistema.
Distanciar ou desligar o telefone e blindar adequadamente a sala de audição são os únicos recursos funcionais ao alcance do cidadão para reduzir os efeitos desse tipo de poluição eletromagnética. E, blindar a sala é sinônimo de uma reforma considerável.
Por certo que morar distante de torres de transmissão e estações rádio base é aconselhável, mas nem sempre possível.
 
     
  Knob de madeira para controle de volume  
  Nada contra os botões de madeira, mas substituir um sólido botão de alumínio por outro de madeira, na esperança de obter melhor qualidade sônica, não parece ser uma escolha muito técnica.
Um botão leve, de plástico, que tenha tendências a ressonâncias pode transmitir alguma vibração extra ao potenciômetro e, este ter sua resistência levemente modulada. Entretanto, na prática é improvável isso acontecer, pois provavelmente seria preciso uma pressão sonora além daquela praticada numa sala típica de audições e, um potenciômetro danificado ou de baixa qualidade. E, ainda assim o knob de madeira não seria melhor que outro de alumínio. Ademais, o fabricante do respectivo knob de madeira nem mesmo leva em conta a teoria aqui descrita, ele tão somente alega que seu botão de madeira melhora o som, incluindo a dinâmica (?) por "transmitir boas vibrações" enquanto os demais transmitiriam "vibrações ruins"...

A propaganda do fabricante é enganosa.
 
     
  Tomada 'hospital grade'  
  Considerando que parte das tomadas disponíveis no mercado brasileiro costuma apresentar mau contato e outros problemas, usar uma tomada de alta qualidade como aquelas destinadas a hospitais é uma escolha segura. Podendo, realmente, oferecer contato elétrico mais confiável. Evitando, por sua vez, o funcionamento anormal do aparelho, incluindo ruídos audíveis por conta de eventuais faiscamentos na tomada. Certamente que a qualidade do plugue também não pode ser desprezada.

Em relação às tomadas de uso geral, as tomadas 'hospital grade' devem apresentar maior resistência mecânica, durabilidade e confiabilidade adicional de aterramento, entre outras características normatizadas.
Seu uso, porém, não trará os benefícios sônicos que frequentemente lhe são atribuídos.
Importante destacar que não há qualquer possibilidade de exigência de 'burn-in'.
Observe que existem imitações e falsificações de tomadas.
 
     
  Tomada "audio grade"  
  Diferentemente das tomadas 'hospital grade' que são normatizadas, não há qualquer regulamento específico para que uma tomada seja classificada como "audio grade". Tratando-se mais de um apelo de vendas.
A expressão "audio grade", se bem utilizada é útil para discriminar componentes cujas características são adequadas para uso em áudio de alta qualidade. Mas não há normas que definam critérios para um produto ser classificado dessa forma. Por consequência alguns se aproveitam para usar a expressão "audio grade", tão somente como apelo de vendas, em produtos que nem mesmo são adequados à alta-fidelidade ou que não têm relação com esta.

É provável que a melhor tomada "audio grade" que você encontre no mercado seja uma tomada 'hospital grade' cujos contatos foram revestidos com ouro ou ródio.
A vantagem do ouro está em sua boa resistência à oxidação, mas será preciso que a camada depositada resista ao atrito que ocorre durante a conexão e desconexão do cabo de força. Se em razão de atrito ou faiscamento o ouro for removido dos pontos de contato, não haverá qualquer vantagem entre a tomada comercializada como "audio grade" e aquela que não recebeu o revestimento de ouro. As mesmas considerações valem para o ródio.
Maior resistência à oxidação é a única vantagem que o fabricante da tomada deverá creditar ao produto, além daquelas já conhecidas das tomadas 'hospital grade'.
Importante destacar que não há qualquer possibilidade de exigência de 'burn-in'.
Observe que existem imitações e falsificações de tomadas.
 
     
  Distanciador de cabos de sonofletores  
  O piso de uma sala pode esconder ferragens, chapas de aço e fiações elétricas que podem alterar, mesmo que discretamente, as características do cabo ou induzir ruídos. Por conseguinte, afastar os cabos do piso em 15 cm ou mais é recomendável. Entretanto, como há variáveis escondidas não há como prever se haverá algum ganho.

Mesmo quando o cabo está em contato direto com o piso, a capacitância entre eles, assim como a corrente de fuga por esta causada são quase sempre desprezíveis. Mas, em casos raros, dependendo de variáveis que incluem as características do piso, cabo, equipamento e instalação elétrica, a corrente de fuga pode ser suficiente para degradar a relação sinal/ruído do sistema. Manter o cabo distanciado do piso, mesmo que por poucos centímetros, impossibilitará que isto ocorra.

Os carpetes de algumas salas podem reter umidade, poeira e fungos, os quais possivelmente causarão danos estéticos aos cabos. Mantê-los afastados do piso poderá aumentar sua durabilidade e preservar seu aspecto original por mais tempo.

Apesar de ser fácil improvisar um distanciador de cabos, opte por algum objeto que seja estável. Distanciadores que caem facilmente são irritantes e, quando pesados são perigosos. A estética pode ser considerada para não comprometer o visual da sala.
Praticamente qualquer material isolante que não acumule cargas estáticas pode ser usado, mas evite distanciadores que possam entrar em ressonância. Existem alguns distanciadores comerciais que vibram, gerando ruídos audíveis.
Dentre os comerciais há produtos de boa e também de má qualidade. Não adquira, porém, produtos de fabricantes que prometem resultados dignos de filmes de ficção científica, cobrando preços incompatíveis com o valor do produto.
 
     
  Desmagnetizadores de CD  
  Não há fundamento na teoria de desmagnetizar CDs, por conseguinte, tentar desmagnetizar um CD não trará qualquer benefício. Ademais, alguns artefatos intitulados desmagnetizadores podem danificar o disco.

Veja o artigo "Snake oil - Os desmagnetizadores de CD", que será publicado em breve.
 
     
  Fusíveis  
  Fusível de boa qualidade é obrigatório em qualquer aparelho, e apesar de também não ser um acessório é oportuno aqui incluí-lo.
Se a presença de um fusível influencia ou não na qualidade sônica, depende em qual parte do circuito ele foi incluído. Por exemplo: Um fusível em série com o sonofletor, pode introduzir distorções, já um fusível geral, localizado na entrada de força, terá uma influência desprezível e imperceptível no desempenho do aparelho. A menos, claro, que o fusível seja de péssima qualidade, apresentando mau contato elétrico.
Se por um lado o mercado está abarrotado de fusíveis de péssima qualidade, os quais podem até causar um incêndio, por outro há fusíveis de ótima qualidade, disponíveis por preço justo.

Alguns comerciantes, infelizmente, tentam iludir o consumidor com promessas de resultados fantasiosos, e ao menos um deles afirma que seus fusíveis teriam "uma assinatura ressonante mais agradável" (?) e até recomenda que o consumidor teste o fusível numa posição e, em seguida inverta-o para comparar os "resultados sonoros" (?). Subestimando a inteligência de seu público alvo e demonstrando ignorância em física, incluindo eletricidade básica.
Você compraria fusíveis de um suposto fabricante que nem mesmo conhece o funcionamento do produto que está vendendo?
Devemos ter grande cautela com qualquer fabricante que atribua a seu produto características além das possíveis.
Estar disposto a pagar mais de 50 dólares por um fusível suspeito é uma questão de livre arbítrio. Por outro lado é importante saber que aparentes ganhos na qualidade sônica são geralmente ilusórios.

Veja o artigo "Fusíveis em áudio", que será publicado em breve.
 
     
  "Condicionadores" de energia elétrica  
  Considerando a baixa qualidade da energia elétrica distribuída no Brasil, não é de admirar que muitos adquiram algum tipo de normalizador de energia. O grande problema é que a maioria desses aparelhos não funciona da forma esperada, agindo tão somente como atenuador - muitas vezes pouco eficiente - para as altas frequências. Alguns deles, inclusive, são mal projetados e mal construídos, representando riscos para quem os utiliza. E não raramente induzem ruídos no sistema de áudio.
Autênticos regeneradores de energia são raros no mercado, pois seu custo de fabricação é alto e não são tão fáceis de projetar.
Também há um exagero com relação aos benefícios ou malefícios sônicos que tais aparelhos podem oferecer. E, alguns aparelhos de áudio são projetados de forma a rejeitar boa parte dos ruídos e distorções presentes na rede de energia elétrica.
Por outro lado, em algumas localidades a qualidade da energia distribuída é tão ruim que o uso de um bom regenerador é praticamente indispensável.
 
     
  "ECT – Electronic Circuit Transducer"  
  Pequenos objetos cilíndricos cujo fabricante faz uso de expressões incongruentes para iludir o consumidor com fantasias.
Dentre as falsas promessas do fabricante S.R., está a de "transformar produtos eletrônicos comuns em extraordinários".
O uso de tal produto em nada contribuirá para a melhoria de qualquer aparelho.
É mais um caso de charlatanismo.
 
     
  "HFT – High Frequency Transducer"  
  Do mesmo fabricante do "ECT" é mais um produto absolutamente inútil comercializado por um fabricante especializado em produtos fraudulentos. Mais uma vez o fabricante cujas iniciais são S.R. utiliza-se de argumentos ridículos e sem sentido para enganar pessoas inocentes.
Dentre os absurdos encontrados na propaganda do produto estão frases ridículas como:
"...cancelar o ruído harmônico de qualquer superfície..." 
"...substituem ressonâncias fora de tom por ressonâncias sintonizadas...”
E, outras mais sem qualquer sentido.
Tais objetos cilindricos não trazem qualquer benefício para quem os utiliza.
É mais um caso de charlatanismo.
 

 

continua...

 
     
     
 
     
     
     
 
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